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Saúde mantém plano de contingência após primeiro caso de coronavírus no Brasil

A Sesapi já adquiriu um quantitativo maior de equipamentos de proteção individual para a rede hospitalar

27/02/2020 16h49
Por: Walcy Vieira

Após a confirmação do primeiro caso de Covid/2019 pelo Brasil, no estado de São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) mantém as mesmas medidas adotadas pelo Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus 2019-nCoV, estabelecido pelo Mistério da Saúde.

“Já era esperado que o Brasil apresentaria algum caso, mas não vai mudar nada em termo de manejo de pacientes. Há a previsão que, caso o Brasil tenha mais de 100 casos da doença confirmados, passemos a utilizar critério clínico-epidemiológico para diagnóstico e testes confirmatórios por amostragem, porém isso ainda será definido pelo Ministério da Saúde”, explica o médico infectologista José Noronha.

Segundo o especialista, as recomendações atuais da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde são as mesmas adotadas para os casos de SRAG, que são isolamento de contato e de gotícula e a utilização dos equipamentos de proteção individual pelas equipes. “Serão disponibilizados até 1.000 leitos provisórios de terapia intensiva, para todo o  Brasil, caso necessário. Até o momento temos o Hospital Natan Portella como referência no Piauí. Caso apareça algum caso, o paciente será isolado para receber os cuidados necessários”, lembra Noronha.

A Sesapi já adquiriu um quantitativo maior de equipamentos de proteção individual (EPIs) para a rede hospitalar, independente do quantitativo a ser oferecido pelo Ministério da Saúde, além disso segue com processos de reestruturação física do Instituto Natan Portella (referência para doenças infecto-contagiosas), iniciados ainda no fim do ano passado, para proporcionar maior segurança e qualidade de atendimento de pacientes com patologias respiratórias, além de ter dado início ao processo de aquisição de equipamentos de suporte intensivo à vida para 20 novos leitos de alta complexidade a serem distribuídos pelos hospitais sentinelas e de referência terciária no estado.

Como o vírus é transmitido por gotículas de saliva e catarro, que se espalham pelo ambiente, as recomendações para a população são lavar as mãos com água e sabão frequentemente, em especial após tossir, espirrar, ir ao banheiro e mexer com animais. Ter um frasco de álcool gel na bolsa também é indicado. “Ao adotar essa estratégia, evita-se que o vírus acesse seu organismo após você colocar as mãos em uma superfície contaminada. A mesma medida, aliás, vale para afastar o risco de gripe e outras tantas infecções”, disse o infectologista.

Para os cidadãos que estiveram nos países que apresentam casos da doença ou contato com pessoas de origem dessas regiões países, José Noronha apresenta algumas recomendações. “Caso o cidadão venha a ter sintomas gripais e vínculo epidemiológico com algum dos países com casos do novo coronavírus deve evitar aglomerações populacionais, para que não haja a propagação do vírus. Deve procurar a unidade de pronto atendimento mais próximo e se identificarem como caso suspeito para que a equipe médica possa iniciar os cuidados necessários. O cidadão também deve ter cuidados chamados de “etiqueta respiratória”, evitar tossir ou espirrar próximo a outras pessoas, utilizar lenço descartável ou o cotovelo da manga (jamais as mãos) para conter o espirro/tosse” enfatiza o médico.

Com relação a uma mulher, da cidade de Floriano, que chegou da Itália há cerca de 20 dias, o médico explica que a mesma não entra no lapso temporal estalecido pela OMS, mesmo assim as equipes de infectologistas e da Vigilância da Sesapi vão examiná-la novamente. “Ela foi avaliada pela equipe do hospital e pela avaliação inicial ela não se enquadra num caso suspeito de coronavírus. Por conta da própria definição temporal, já que esteve no país há mais de duas semanas, e o lapso temporal do são de 14 dias. Mas a equipe irá examiná-la novamente por questão de precaução”, afirmou José Noronha.